Masashi Mochida
31.8.10
21.8.10
13.8.10
para agora amor, o sol
Olá
Ouvi este poema hoje de manhã na rádio (o autor morreu). Bonito, não é?
Ouvi este poema hoje de manhã na rádio (o autor morreu). Bonito, não é?
Bjs para os meus queridos.
O sol o sul o sal
as mãos de alguém ao sol
o sal do sul ao sol
o sol em mãos do sul
e mãos de sal ao sol
as mãos de alguém ao sol
o sal do sul ao sol
o sol em mãos do sul
e mãos de sal ao sol
O sal do sul em mãos de sol
e mãos de sul ao sol
e mãos de sul ao sol
um sol de sal ao sul
o sol ao sul
o sal ao sol
o sal o sol
e mãos de sul sem sol nem sal
o sol ao sul
o sal ao sol
o sal o sol
e mãos de sul sem sol nem sal
Para quando enfim amor
no sul ao sol
uma mão cheia de sal?
no sul ao sol
uma mão cheia de sal?
Poema “O Sul”. In: Ruy Duarte de Carvalho. A Decisão da Idade. Luanda, União dos escritores Angolanos, 1976, p.5.
(pela mãe)
10.8.10
6 camadas
Trifle de frutos silvestres
(sim eu fui ao Andanças e parte de mim ainda acha que está lá. Pelo menos a parte sentada no colchonete no jardim. Mas não me apetece falar disso. Só quero dizer que toda eu estou maravilhada, renovada, encantada, feliz.)
30.7.10
"Hay un amigo en mi"
29.7.10
Ele há coincidências!
Ao meu lado uma mãe fornecida de toalhitas troca de fralda à filha quando uma caca de pássaro cai a meio centímetro dos meus calções brancos.
Deixo-vos com isto que agora vou ver o Toy Story.
24.7.10
21.7.10
14.7.10
devorados
"Nas línguas em que a palavra compaixão não se forma com a raiz «passio = sofrimento» mas com o substantivo «sentimento», a palavra é empregue mais ou menos no mesmo sentido, mas dificilmente se pode dizer que designa um sentimento mau ou medíocre. A força secreta da sua etimologia banha a palavra de uma outra luz e dá-lhe um sentido mais lato: ter compaixão (co-sentimento) é poder viver com o outro não só a sua infelicidade mas sentir também todos os seus outros sentimentos: alegria, angústia, felicidade, dor. Esta compaixão (no sentido soucit, wspolczucie, Mitgefüh, medkänsla) designa, portanto, a mais alta capacidade de imaginação afectiva, ou seja, a arte da telepatia das emoções. Na hierarquia dos sentimentos, é o sentimento supremo.
Sonhando que estava a enfiar agulhas por baixo das unhas, Tereza traía-se a si própria porque revelava a Tomas que mexia às escondidas nas suas gavetas. Se fosse outra mulher, nunca mais lhe dirigiria palavra. Consciente disso, Tereza dissera-lhe: «Põe-me na rua!» Ora, ele não só não a tinha posto na rua como lhe pegara na mão e beijara a ponta dos dedos, já que, nesse momento, sentia a mesma dor que ela por baixo das unhas, como se os dedos de Tereza estivessem directamente ligados ao seu cérebro."
Milan Kundera, A Insustentável Leveza do Ser
Num daqueles dias, quando compareci ao encontro com a María José, ela perguntou-me porque razão a perseguia. Assegurei-lhe de que se tratava do que faria se fosse morrer no minuto seguinte. Continuámos a andar em silêncio até que ela se voltou para mim e disse com crueldade:
-Tu não é interessante para mim.
Eu continuei a andar ao seu lado, mas do mesmo modo que um frango sem cabeça continua a voar, ou seja, morto. Aquela frase partiu-me literalmente o coração. Uma faca ferrugenta não teria tido efeitos mais devastadores. Continuei, pois, a andar, por pura inércia até à casa dela e depois prossegui até à minha sabendo que não era necessário imaginar que ia morrer no minuto seguinte porque já estava morto. Entrei morto em casa e consegui chegar, morto, à casa de banho para ocultar a trágica situação à família. Ao olhar-me ao espelho reconheci no meu rosto todos os atributos de um cadáver. Tinha o nariz afilado e o rosto pálido como a cera. Sabia que o nariz afilado era um sintoma cadavérico porque o ouvira dizer à minha mão a propósito de uma fotografia do cadáver de Pio XII no jornal. Ela disse «nariz afilado» e «rosto cerúleo». Assim estava eu à frente do espelho, com o nariz afilado e o rosto cerúleo. Não se tratava de a vida ter perdido o sentido, é que já não havia vida."
Juan José Millás, O Mundo
Se não leram, leiam. E se, por alguma razão, não for a altura certa para os ler, porque há uma altura certa para ler um livro, tentem mais tarde, tal como fiz com o primeiro.
30.6.10
23.6.10
às riscas diagonais
Não consigo explicar como me sinto ao vestir um vestido que não me servia há quatro anos. Estou tão orgulhosa. Sinto-me fantástica mesmo.
Uau.
Uau.
22.6.10
o peso do acaso
Despreguei os olhos do livro à procura de algo, do acaso. Procurei por Beethoven, pelo homem a ler o livro e o copo de aguardente mas não encontrei nada. Estava no comboio mas não encontrei acasos coincidências nada. Vi um homem gordo a ler o jornal, uma rapariga muito maquilhada a jogar sudoku, lá fora um judeu - sei que o era porque tinha um kipá - e a sorrir à minha frente um senhor muito preto com umas gengivas muito brancas. Não era a empregada de mesa mas era a rapariga do comboio de batom vermelho-alaranjado que lia um livro e não se deu acaso nenhum. Não havia homem nenhum com livro e a minha cabeça estava desprovida de qualquer som. Só pensava em Tomas, Tereza e no chefe de Tomas que teve ciática. Os acasos não se procuram, é verdade.
Continuo com o batom vermelho-alaranjado. Agora desenho de pés descalços, vejo crianças, duas velhas de chapéu preto e ouço Vivaldi, vá-se lá saber porquê. Vivaldi foi o primeiro CD de música clássica que me ofereceram.
Continuo com o batom vermelho-alaranjado. Agora desenho de pés descalços, vejo crianças, duas velhas de chapéu preto e ouço Vivaldi, vá-se lá saber porquê. Vivaldi foi o primeiro CD de música clássica que me ofereceram.
20.6.10
até dá vontade de rir de tão assustadoramente propositado que é.
e daí talvez não, uma vez que choro sempre que o leio
No te amo como si fueras rosa de sal, topacio
o flecha de claveles que propagan el fuego:
te amo como se aman ciertas cosas oscuras,
secretamente, entre la sombra y el alma.
Te amo como la planta que no florece y lleva
dentro de sí, escondida, la luz de aquellas flores,
y gracias a tu amor vive oscuro en mi cuerpo
el apretado aroma que ascendió de la tierra.
Te amo sin saber cómo, ni cuándo, ni de dónde,
te amo directamente sin problemas ni orgullo:
así te amo porque no sé amar de otra manera,
sino así de este modo en que no soy ni eres,
tan cerca que tu mano sobre mi pecho es mía,
tan cerca que se cierran tus ojos con mi sueño.
Pablo Neruda
o flecha de claveles que propagan el fuego:
te amo como se aman ciertas cosas oscuras,
secretamente, entre la sombra y el alma.
Te amo como la planta que no florece y lleva
dentro de sí, escondida, la luz de aquellas flores,
y gracias a tu amor vive oscuro en mi cuerpo
el apretado aroma que ascendió de la tierra.
Te amo sin saber cómo, ni cuándo, ni de dónde,
te amo directamente sin problemas ni orgullo:
así te amo porque no sé amar de otra manera,
sino así de este modo en que no soy ni eres,
tan cerca que tu mano sobre mi pecho es mía,
tan cerca que se cierran tus ojos con mi sueño.
Pablo Neruda
Até porque já não choro há muito tempo
O professor, pessoa detestável, mas de uma paixão tão imensa que o torna impossível de ser odiado, perguntou quem já se tinha apaixonado ali, naquela sala. Virou-se para uma rapariga e perguntou-lhe se nunca se tinha apaixonado e ela disse "claro que sim!" num tom que me fez lembrar uma rapariga que conheçi à uns anos. Ele disse que por aquela resposta ela devia ser a pessoa mais sem sentimentos daquela sala e eu vi-me tentada a discordar.
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