25.5.10

mais um dia, e amanhã vem outro, e os gatinhos já fizeram um mês



À bocado falava com a minha avó ao telefone.
"Ai filha, pois tens de aprender a ter calma e paciência. Já viste? Se na minha vida eu não tivesse aprendido a ter calma onde é que eu já não estava..."

Juro, mas é que posso quase garantir, que depois desta conversa, a minha calma nunca mais vai ser a mesma.

A minha avó é espectacular, se soubessem...

17.5.10

Os homens e os sacos

ou o porquê de o meu pai escolher um saco de papel todo maricas da Kerastase em detrimento de um da H&M daqueles que toda a gente tem, e fazer metade do caminho percorrido comigo a colocá-lo em todas as posições aparentemente naturais possíveis, desde a posição à "testemunha de Jeová", debaixo do sovaquinho, à pega com o saco entre o polegar e os restantes dedos ou à pega normal de um saco (sempre com as alças para dentro, claro.)

Expliquem-me, porquê? Eu sei que é uma cena de homens e tal, mas reparem: é ridículo. Não deixa de ser cómico e de proporcionar bons momentos de gargalhadas às mulheres que assistem à cena, mas é ridículo.

rapidamente, antes de ir dormir

Ultimamente ando com a mania de andar com as minhas canetas enroladas num daqueles elásticos grossos que nos dão quando compramos cartolina e que arrancam os pêlos do braço se não temos cuidado. Não é bonito, de todo, nem tem qualquer tipo de charme, ao contrário daqueles estojos feiosos super simples, que inclusive eu e tu temos, pretos, castanhos ou o-que-quer-que-seja-a-cor-do-teu (ainda o tens?), e que dão aquele estilo despreocupado de "não me preocupo com coisas destas", mas que a própria escolha já é uma preocupação. Bem, mas tenho de ser prática e muitas vezes o elástico é o que tenho à mão (ou no pulso, neste caso). Ando um pouco a mil à hora mas sinto que está a correr tudo bem. Sábado fui ver uma peça que não ias gostar nada, até a mim me foi difícil de digerir. Ás vezes passo pelos croissants mas decidi-me a não ir lá até estar contigo. Comprei um body com andorinhas azuis. Sempre adorei andorinhas, sabes, lembram-me a casa da minha avó. Mas só agora é que começaram a desenhá-las nas roupas. Hoje aconteceu-me uma coisa que já não me acontecia há muito tempo: ouvi uma música nova e de repente, todo o ambiente proporcionado, desde a luz que entrava no meu quarto à minha postura e à minha saia vermelha fizeram-me sentir como se tivesse dentro de um filme. Hoje escrevi-te uma carta e amanhã vou aos Correios enviá-la. Não quero escrever-te mais vezes por aqui. Pelo menos não muitas vezes... não assim.


é esta a música.

12.5.10

telefonema

Eu: Boa tarde, gostaria de saber se é possível reservar dois bilhetes para... Foder e ir às compras...?


Já dizia a Manuela, a língua inglesa fica sempre bem.




Já mencionei que tenho umas borbulhas simétricas no corpo que se assemelham às cicatrizes das mulheres de algumas tribos africanas?  (falei com a minha mãe, e sim Inês, é uma alergia que se dá pelo nome de estrofitos...) Não tem piada nenhuma.

6.5.10

em mudanças

Da sala do andar de baixo para o meu armário no 1º andar.

Nem haveria problema, se não tivesse de dormir com a porta do quarto aberta (coisa que não me agrada nada),  e de ter a porta do armário que tem o espelho sempre aberta (que me agrada muito menos).
Tanto que ela gosta de se enfiar ali sozinha que decidiu partilhar esse prazer com os filhos. E a minha roupa agradece.

3.5.10

As coisas por vezes cansam-me, fico farta. Por coisas, entenda-se, o mundo em geral. Canso-me de todos que me conhecem, conhecem pouco, dos que acham que sim e dos que nem sequer sabem que existo, que me querem impor coisas pressas prazos desafios, que se sentem no direito de esperar algo de mim, de se desiludir coitados de julgarem de exigir o que quer que seja e que não percebem nada porque não pensam. Canso-me do ritmo idiota que levamos por alguma razão que não a nossa própria vontade. Estou farta do futebol o ano inteiro já não há paciência e estou farta do povo estúpido que tanto alimenta e mal esta religião como se fosse a salvação da pátria. Estou farta das pessoas que vão fazer figuras tristes para a televisão porque não se enxergam e não sabem distinguir o gostar de dançar ou cantar ou fazer o pino, de saber fazer tudo isso, e estou ainda mais farta da televisão e revistas e tudo o que "cultiva" o povo, que aproveita tudo isso até ao tutano. Canso-me das pessoas mal-educadas e dos empregados de café que não sabem ser empregados de café. Fico farta de pensar que tenho de fazer quando por vezes nem tenho e de me sentir mal por isso. Estou farta de sentir que tenho de me justificar. E farto-me que isto tudo e muito mais me deixe apagada "com cara de muito trabalho" como me disseram à bocado que é a fuga a qualquer desenvolvimento da resposta a qualquer pergunta relativa ao nosso estado geral. Fico  sem vontade de grande coisa, de desenhar que tanto gosto, de passear ou ser cúmplice de brincadeiras e piadas parvas e esqueço-me de coisas boas. Fico sem paciência.

Contento-me com tirar fotografias, comer broa com queijo e massa com camarão e beber vinho tinto na casa do vale e ouvir música que não se deve ouvir, beber uma groselha e ouvir saxofone e baixo e bateria e guitarra na praça do Camões e apaixonar-me por Lisboa outra vez, fazer tartes de maçã e amoras às 9h da manhã para a minha mãe acordar com o cheiro, ver filmes improváveis e outros que já perdi a conta às vezes que os vi, comprar livros, almoços de família, ler Pickwick ao pequeno-almoço, filmar a minha avó a fazer ensopado, ouvir música aos altos berros, baldar-me às aulas para ir ver um filme e estar com uma amiga, receber abraços que me deixam a chorar porque querem e precisam de me abraçar, e pegar nos gatos em concha nas mãos e esfregá-los na cara, arrancar um pé de lavanda e guardar na minha mala, apanhar sol no pescoço e mais mais muito mais.